A comparação estabelece uma hierarquia dos jogos em cada um dos quesitos e os quesitos escolhidos foram com base naquilo que julgo importante num jogo, exceto o aspecto da diversão, pois este é por demais subjetivo.
Os jogos em comparação são todos do Richard Borg: Battle Cry (BC), Battle Lore (BL), Commands and Colors: Ancients (C&C) e Memoir 44 (M44). Presumo que todos interessados na comparação já conhecem ou tem acesso às regras de cada um dos jogos.
Componentes
Bom, como temos a Days of Wonder na jogada é quase uma covardia com os primos pobres e o pior é que um dos primos pobres é a GMT, que tem um nível de consideração bem baixo pelo consumidor e uma ânsia desmedida por lucros.
Tendo dito isso, o jogo melhor produzido é o Battle Lore, com o Memoir 44 muito próximo. Num nível intermediário fica o Battle Cry e num nível muito inferior, de pobreza quase que absoluta fica o C&C: Ancients, com a enorme desvantagem do processo de colagem dos adesivos em dezenas de cubos.
Adicione-se que as miniaturas dos outros três jogos são todos muito bonitas e em nível de qualidade semelhante, mas o Battle Lore tem sua vantagem nos player-aids e dezenas de acessórios que dão um sabor especial. Para aqueles mais acostumados com um design clean de jogos alemães, talvez isso seja uma desvantagem.
1. BL 2. M44 3. BC 4. C&C
Tema e sua adequação ao jogo
Curiosamente onde a produção é mais detalhada é onde o tema e a correlata pertinência está num nível inferior. Digo até com tristeza, porque o universo de fantasia medieval é um dos meus prediletos.
Esse problema temático ocorre no Battle Lore porque as tropas são todas misturadas. Um jogador sempre tem tropas humanas ao seu lado, variando apenas as tropas especiais, goblinóides de um lado, anões do outro. De um lado um Troll do outro uma Aranha Gigante. É algo estranho, não é possível estabelecer uma espécie de conexão com seu exército, já que a minha infantaria pesada é exatamente igual à do adversário.
O C&C apela para as antigas batalhas das guerras púnicas e traz como auxiliar no pano de fundo a figura dos líderes, mesmo expediente utilizado pelo BC. Ponto de vantagem para ambos, já que o M44, embora aborde uma época histórica fascinante, não tem esse componente. Acredito que acrescentaria muito à dimensão lúdica do jogo, saber que determinado general no tabuleiro é o Rommel ou o Patton, por exemplo.
Daí sobramos com Guerras Púnicas x Guerra Civil Americana. Minha inclinação total é em favor do primeiro, o que coloca o C&C num primeiro posto, após amargar o último lugar no quesito anterior.
1. C&C 2. BC 3. M44 4. BL
O jogo em si (fluxo e regras)
Embora todos partam da mesma base, são fundamentalmente jogos bem diversos entre si. Talvez o de maior complexidade nas regras seja o BL, seguido do C&C. Basicamente, esta maior complexidade se deve ao sistema de magias do jogo.
Todavia, embora adicione uma miríade enorme de alternativas para o jogo, inclusive de planejamento a longo prazo com a definição do conselho de guerra (o qual determinará a frequência de cartas especiais e o seu custo), o sistema de magia também adiciona um nível de imprevisibilidade muito alto.
O C&C embora se aproxime do nível de complexidade (utiliza formações para moral e tem a figura do líder), restringe essa complexidade ao tabuleiro na movimentação das tropas, ou seja, requer uma maior inteligência tática do jogador. Aliás, no BL, essa inteligência tática pode conspirar contra o jogador, porque o agrupamento de tropas torna algumas cartas especialmente mortíferas.
O M44 tenta oferecer tantas alternativas quanto o BL, por isso o número elevado de cartas e expansões com regras especiais. Embora acrescente um sabor especial ao jogo em determinados momentos pode conduzir também a algumas situações injustas com o jogador que desenvolveu melhor sua estratégia, mas nada tão extremado quanto no BL.
Por outro lado, o M44 flui melhor que o C&C porque não tem a mesma variedade de tropas, então o jogo é mais assimilável pelos jogadores, os quais não tem maiores problemas para decidir a jogada porque as vantagens e desvantagens de cada tropa são mais evidentes.
Neste aspecto da fluidez não há como superar o BC. Apenas três tipos de tropas mais o líder. Menos cartas especiais. Basicamente movimentar tropas no tabuleiro e atacar. Com um detalhe: é um jogo muito mais letal: além das figuras específicas, o sabre cruzado também sempre é hit, sem maiores delongas, exceções e poderes especiais. Neste ponto é igual ao M44, mas como existem os líderes que também podem morrer, o jogo acaba ficando mais rápido.
1. BC 2. M44 3. C&C 4. BL
Rejogabilidade
Embora mais fluído e com um tempo de set-up menor que os outros, BC peca pelo seu tema restrito. Mesmo que existam mais cenários, sempre se trata da mesma coisa: União x Confederados, sem maiores possibilidades de alteração de regras ou algum sabor diferente no jogo. E fatalmente cada cenário terá uma estratégia que se revelará melhor que as outras. Isso tende a se repetir no C&C e dificilmente ocorrerá nos outros jogos, principalmente pela incidência de cartas especiais
O M44, já pensado como um sistema expandível, não tem esse problema, já que a partir do momento que eu enjoar de ver brigas entre alemães e americanos, passo para alemães e russos e assim por diante. Fora as regras especiais para terrenos, unidades especiais (poucas, frise-se) e mesmo outros tabuleiros.
O BL então tem possibilidades quase que infinitas, pois o tema é completamente aberto e as expansões já são inúmeras. O grande problema para pensar numa nova partida de BL é o tempo de set-up absurdamente demorado.
1. M44 2. BL 3. C&C 4. BC















