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Breno Kümmel
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Lembro de ter lido em algum lugar dos fóruns da BGG que o dono da Rio Grande Games só publicou o Carcassonne como uma espécie de "favor" à Hans in Gluck. Passa um tempo e hoje é o maior best-seller da companhia, com notícias de que a cidade medieval na França passou a ter mais visitas desde de 2001 (quando o jogo saiu). O jogo levou a maior parte dos prêmios de jogos de tabuleiro daquele ano e hoje se encontra no top 50 do BGG.

Sendo tão grande seu sucesso, não é de se surpreender com a quantidade de expansões que o jogo acumulou nesses anos. Essa é a resenha de uma delas, o Traders & Builders.

O Carcassonne em si (ou, como chamam os usuários do BGG, vanilla) é um jogo bastante simples, em que jogadores pegam "tiles", escolhem onde colocá-los no tabuleiro (que é feito justamente desses tiles e vai aumentando com a progressão do jogo) e optam se vão colocar ou não um marcador (meeple) de sua cor para pontuar aquela parte do mapa.

É um joguinho bastante ambíguo: o que a princípio parece só uma partida puramente decidida na sorte na hora de pegar seu "tile", acaba revelando uma série de características menos óbvias com o decorrer do jogo. Estratégias de prender os marcadores dos oponentes, roubar as cidades e fazendas dos oponentes e tudo mais começa a "encaixar" na cabeça do jogador aos poucos, mostrando que há mais dentro dessa caixa do que só montar um mapa bonito diferente a cada partida. Aos poucos se percebe também que o jogo é o mais estratégico mesmo com 2 jogadores, com 5 sendo tão caótico que a coisa se torna praticamente só uma atividade em grupo.

Mesmo assim, o jogo ainda fica um pouco dependente demais na sorte dos "tiles"; um jogador pode perder simplesmente por falta de sorte. Não é à toa que a variante dos jogadores terem sempre 3 tiles na mão é tão popular entre os gamers.


A expansão Traders & Builders ajuda na hora de adicionar mais estratégia ao jogo. São 3 as adições principais do jogo (desconsiderando os novos desenhos dos tiles, que podem ser vistos na foto acima): os porcos, os builders e os trade goods.


O builder é, a meu ver, a adição mais forte ao jogo: é uma pecinha (de madeira, que nem os meeples) que o jogador coloca em alguma rua ou cidade que ele está construindo que permite que ele compre um segundo tile naquele turno quando ele aumenta a cidade ou rua em que está o builder. A estratégia é, portanto, colocar o builder em uma rua ou cidade que seja fácil de aumentar, para que o jogador consiga frequentemente comprar um segundo tile e conseguir assim uma vantagem numérica em cima do oponente.


Os trade goods dão uma dimensão inesperada ao jogo. Alguns novos tiles de cidade têm agora um símbolo correspondente a um dos três trade goods: vinho, trigo e seda. O jogador que fechar uma cidade que contém esses tiles pega as pecinhas ilustradas na cidade: se a cidade tem três tiles de vinho, dois de trigo e um de seda, o jogador pega 3 pecinhas de vinho, 2 de trigo e uma de seda, independendo de quem era a cidade. No final do jogo quem tiver a maioria de cada um desses tipos ganha um bônus de 10 pontos, havendo assim, portanto, 30 pontos adicionais em jogo com essa nova adição. Se o jogador A tiver maioria de vinho e seda, ele ganha 20 pontos, se o outro tiver maioria de trigo, ele ganha 10 pontos. Em caso de empate, ambos jogadores levam os pontos. Vai acontecer, portanto, de um jogador fechar uma cidade do oponente só pra pegar os trade goods, às vezes até atrapalhando o uso de um builder que estava naquela cidade; essa adição proporciona opções bastante interessantes ao jogo.


O porco é provavelmente a adição mais fraca do jogo: coloca-se ele na fazenda, e as cidades passam a valer 5 pontos cada para o jogador que colocou o porco. Me parece uma adição de última hora, já que o builder fortalece ruas e cidades, o porco ajuda a fazenda manter sua força do original. E o bichinho tem seu charme, é inegável.

Uma conseqüência interessante dessas adições é o papel menos importante dos monastérios (cloister) no jogo com esta expansão: agora que os builders podem fazer com que o jogador compre dois tiles, o monastério deixa de ser tão decisivo quanto é no jogo inicial. Eu acho isso muito bom, já que o desenvolvimento do monastério não depende de tanta tática quanto o de uma cidade.

Um aspecto que me incomoda um pouco no jogo é o desenho dos novos tiles. Tem alguns interessantes, mas outros servem praticamente para impedir os trancamentos possíveis no jogo sem expansões. Uma das coisas mais interessantes estrategicamente no carcassonne é prender os meeples do adversário, fazendo uma combinação de tiles vizinhos de tal forma que não exista tile que caiba naquele determinado lugar. Com os desenhos novos de tiles, essa característica fica diminuída, voltando um pouco para a velha sorte de pegar o tile certo.



Creio, no entanto, que o builder e os trade goods fazem a expansão valer a pena para quem quer um pouco de estratégia a mais no seu Carcassonne. As regras são bem claras e intuitivas, e o mapa no final fica um pouco maior(claro, com mais tiles o tabuleiro vai ficar maior), coisa que por algum motivo eu acho bem legal. Ah, e o jogo vem também com um saco pra botar os tiles dentro, o que é muito bom se você já jogou muito o jogo básico e as cores estão meio apagadas (pra não haver distinção na hora de pegar, com as cores "novinhas" dos tiles novos).
Eduardo Alpendre
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Bela resenha Breno, gosto bastante dessa expansão.
 
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