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João 'Finding a new way to make you WTF today' Marum
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0708
Colossal Arena » Forums » Reviews
Colossal Arena:Crítica em Português (Review in Portuguese)
É certo que no mercado de boardgames, há jogos que acabam por ser esquecidos e jogos que valem a pena serem reprinted. Jogos tão bons que a procura pelo jogo, em vez de diminuir, aumenta. Colossal Arena é um desses casos.

Criado por Reiner Knizia, este jogo trata de lutas entre várias criaturas miticas numa arena. É o reprint do Titan: The Arena e a nova versão é produzida pela Fantasy Flight Games. De entre 12 criaturas, 8 são escolhidas ao acaso. Depois há uma luta entre os jogadores para determinar qual das criaturas é eliminada em cada turno ao mesmo tempo que os jogadores apostam nas criaturas. No fim, só três sobrevivem, e é contado o dinheiro apostado nessas criaturas. Quem tiver mais dinheiro ganha. Claro que cada criatura tem poderes especiais que poderão ser usados durante o jogo por aquele que mais apostou na criatura.

Parece um bom tema para um boardgame, e realmente é. Misturando negociação com hand-management, este pequeno boardgame consegue fazer jus à sua antiga reputação, de facto melhorando o jogo nesta nova versão.

A apresentação do jogo está boa, as cartas são de boa qualidade, embora pudessem ser melhor, e a arte está bem feita. A caixa é pequena e com pouco espaço mal aproveitado. As regras são relativamente curtas e fáceis de ler e compreeder. Não há lugares para confusões pois as regras explicam tudo muito bem explicado. No fim, o jogo tem uma boa apresentação, decente o suficiente para se tornar funcional.

Este jogo acolhe até 5 jogadores e, sinceramente, 5 é o número ideal para se jogar, devido à sua componente de negociação.

Passemos à análise.

Este jogo sendo do Knizia seria de pensar que o tema nem sequer se cola ao boardgame. Bem, estariam quase certos. Este jogo podia ser sobre batatas à luta umas com as outras que não faria diferença. No entanto o tema escolhido para o jogo até não é mau de todo e é bem evocativo. Apesar de ser do Knizia, o tema até pega o minimo para um jogador ver o jogo como uma luta numa arena entre oito monstros. Logo, eu diria que, para um Knizia, até tem um bom nivel de tema. Claro que isto continua a ser um eurogame, onde as mecânicas estão muito acima do tema, mas as cartas contribuem de maneira correcta para a evocação do tema. Em suma, mais tema que o normal para um Knizia.

O factor sorte está presente neste jogo na forma das cartas que um jogador saca durante o jogo. Estas determinam o que o jogador pode fazer ou não durante o jogo e, por conseguinte, são o coração do jogo. Uma má mão de cartas pode afectar o jogo todo e diminuir as nossas opções mas um jogador consegue dar a volta mesmo tendo uma má mão. Este é o único factor sorte do jogo, as cartas, não há mais, a não ser que considerem a escolha de oito monstros ao calhas dos doze inicias na preparação do jogo sorte. Portanto o factor sorte deste jogo é o mesmo de qualquer cardgame, ou seja, estamos dependentes das cartas que sacamos e teremos que nos adaptar ao que temos.

O que me faz falar da componente estratégica e táctica. Este jogo, à partida, parece ser um jogo com uma componente táctica elevada, mas à medida que se joga uma pessoa aperecebe-se que este jogo tem mais que se lhe diga. De facto, este jogo tem uma profundidade estratégica estonteante. Embora a componente táctica esteja presente na decisão de tentar eliminar uma criatura onde não tenhamos dinheiro apostado, é nas apostas que a grande parte da vertente estratégica se mostra. Há que saber onde apostar e como uma aposta posta fica lá permanentemente até ao fim do jogo e só podemos apostar cinco vezes, há que pensar com muito cuidado onde e como se aposta. Quanto mais cedo se aposta mais dinheiro se ganha, mas mais vulnerável a criatura fica. Depois temos o aspecto de negociação. A negociação neste jogo é livre e serve para convencer os jogadores a jogarem uma carta numa criatura. Isto torna o jogo não só profundamente estratégico como a negociação apimenta a táctica do jogo. Como a negociação é normalmente para ter efeito na mesma ronda, a táctica deste jogo demonstra-se com mais facilidade na negociação. Enfim, este jogo tem um bom equilibrio entre estratégia e táctica, o que o torna apeticivel para quem quiser um boardgame com mais estratégia que o habitual mas que se jogue rápidamente. Sendo do Knizia, esperem uma estratégia analitica durante o jogo. Este jogo provoca muita tensão nas nossas decisões, o que é bom sinal. Todo o jogo as nossas decisões são acentuadamente dificeis e afectam todos os jogadores.

A interacção entre os jogadores é directa e activa na fase de negociação, directa e passiva durante o resto do jogo. Os jogadores estarão a mudar o valor das criaturas durante o jogo, o que torna a interacção directa pois pode-se mudar o valor de qualquer criatura, mas é passiva pois não envolve os jogadores de forma activa, um jogador pode mudar o valor de qualquer criatura a qualquer altura no seu turno. No entanto, as negociações podem ocorrer a qualquer altura, e neste caso tudo muda de figura. Quando há negociações envolvidas então o jogo torna-se directo e activo. Como um negócio pode ou não ser vinculativo, haverá negócios que poderão ser executados uns turnos adiante, o que torna a interação entre jogadores activa e directa. Na maior parte dos casos a interação neste jogo é mesmo directa e activa, só é passiva no inicio do jogo, quando as negociações começam a acontecer a passividade da interação vai-se à vida.

O tempo de jogo é normalmente 45 minutos ou um pouco menos. Este jogo é rápido de se jogar apesar de ter uma fase de negociação entre jogadores. É um jogo que se joga bem e em que raramente o ritmo do jogo abranda.

O peso deste jogo é estranho. Embora demore pouco tempo a jogar, o jogo não é light de maneira nenhuma. No entanto, também não é um Heavyweight no verdadeiro sentido da palavra, embora esteja bem próximo disso. Eu diria que este jogo é um Middleweight com tendências para ser um Heavy Middleweight. Isto, combinado com o tempo de jogo, dá uma combinação muito estranha, mas que na prática resulta bem. Embora não seja um dos mais pesados jogos do Knizia, é sem dúvida um jogo com um peso considerável.

Este jogo não é um filler de maneira absolutamente nenhuma. Está muito mais próximo de ser um gamer's game de facto. É um jogo que nos obriga a fazer decisões tensas, e isso costuma ser um ponto comum entre os gamer's games. Mas não é um gamer's game, não é pesado nem complexo o suficiente. De facto este jogo até é um jogo bem simples.

De facto as mecânicas deste jogo resumem-se a apostas, hand-management e negociações. Todas estas mecânicas estão implementadas de forma simples e na prática resumem-se a serem simples de perceber a rápidas de executar. As mecânicas do jogo estão muito bem implementadas e interagem suavemente entre si, fazem parte de um todo como uma máquina bem oleada. Aqui neste boardgame não vamos encontrar mecânicas estranhas ou que não funcionam lá muito bem, o que está aqui está bem feito, nota-se que houve tempo para pensar na implementação das mecânicas. E no fim funcionam bem, e isso é tudo o que um jogador pode pedir de um boardgame.

A longevidade do jogo é elevada. Para começar temos a preparação inicial do jogo, onde se escolhe 8 criaturas das 12 existentes. Havendo um excedente de criaturas implica que cada jogo será sempre diferente do anterior, o que é bom. Depois as negociações entre jogadores certifica que o jogo nunca ficará estagnado. Há sempre algo que corre de maneira diferente, os jogos nunca parecem ser sempre a mesma coisa. Logo a longevidade deste jogo é elevada o que causa com que o jogo nunca perca muito do seu interesse inicial.

O dinâmismo do jogo é fabuloso. Todas as partes do jogo se conjugam entre si como uma máquina bem oleada. O jogo é sempre diferente devido a interação entre os jogadores e, por isso, nunca se torna aborrecido e chato. Desta forma o jogo é sempre interessante mesmo para alguém que está farto de o jogar. Existe um ponto a salientar, que é o elevado nível de lixar o adversário que este jogo tem. Este é um jogo porco, convenhamos, e como tal deve ser aproximado com uma mentalidade diferente dos outros jogos. Neste jogo um jogador pode entrar em negociações para lixar outro jogador, e isso pode gerar discussões.

Quanto a usar este boardgame como introdução a novatos, não aconselho. Devido à sua profundidade estratégica é dificil para um jogador novato aperceber-se de todas as potencialidades e ramificações das decisões que toma. Este jogo não é para um novato, e eu diria até que fará com que um novato fique com uma má impressão do nosso hobby.

O problema do Analysis Paralysis pode acontecer neste jogo. De facto, o jogo tem uma potencialidade enorme para tal acontecer, mas em todos os jogos que joguei analysis paralysis nunca foi um problema de todo. Apesar de tudo, este jogo avança a um ritmo consideravelmente rápido e normalmente os jogadores sabem o que querem fazer.

O visual do jogo à medida que se vai jogando é interessante mas pouco mais. Não há nenhum tabuleiro com arte fenomenal, só há cartas pequenas com boa arte e chips de plástico de cores diferentes. Dificilmente se tornará apelativo em termos visuais mas, verdade seja dita, já vi muito pior.

E é isto.

O jogo é bem bom, interessante de jogar e viciante. Se o jogo fosse só jogar as cartas e apostar, então este boardgame seria um boardgame mediano, sem nada que o elevasse para além da média. Mas a componente de negociação torna deste jogo algo realmente bom. Embora não use nenhuma mecânica original, todas as que usa são afinadas para darem o máximo rendimento.

É um bom boardgame, melhor que a maioria no mercado. Não é original mas é bom naquilo que faz. Para quem gosta de negociação e um jogo com cariz de porco, este é o boardgame indicado. É divertido, que é o que importa, mas também é lixado, pois os jogadores podem lixar-se uns aos outros de maneiras estonteantes.

Pessoalmente eu gosto. É pequeno, barato e extremamente bom. Mais um óptimo design do senhor Knizia.

Recomendado, principalmente para os que gostam de negociação e de jogos porcos.

16 de 20.
Pedro Pereira
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Viva,

Penso tratar-se aqui de uma crítica válida. O texto está bem estruturado e vais aos ponto que consideras serem importantes num jogo de tabuleiro. Só lamento a utilização insistente pelos compatriotas de estrangeirismos... boardgame em vez de jogo de tabuleiro, ou frases como: "(...) jogos que valem a pena serem reprinted.", e ainda: "Misturando negociação com hand-management (...)."

Nem se quer sou natural de Portugal, mas grande fã da língua portuguesa... só acho pena haver um sentimento colectivo (aparentemente) de inadaptabilidade da nossa língua a este mercado relativamente novo no nosso país... mas derivo, nada tem haver com este artigo em concreto (ou pelo menos seu conteúdo). Ainda assim, boa crítica, vou receber este jogo em troca de outro para a semana que vem. Conseguiste abrir-me o apetite.
Abraço.
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